domingo, 11 de abril de 2010

Comentário de: "Filosofia - Deus e a lógica"

Universo da Filosofia: Filosofia - Deus e a lógica

Prezado colega Marco Aurélio,

enquanto trabalhamos juntos gostava muito de conversar com você, fosse no expresso NC City ou mesmo nos nossos horários "vagos" lá na escola (NC City). Como o conheço, em parte, e sei de seu céticismo, entendo e respeito seu ponto de vista. Gostaria de continuar algumas conversas que iniciamos. Os recursos da mídia eletrônica nos permitem isso. Graças a Deus! Você sabe que da minha parte o agradecimento a Deus não é um modo de dizer. De fato, creio em Deus, em Jesus e no Espírito Santo. Você sabe disso. Aprecio muito a filosofia e todo tipo de conhecimento que seja substancial para nossa formação ética, identitária e cidadã.

Aqui no blog foi uma das únicas maneiras por meio da qual posso falar com você pois seu orkut tá lotado. Mas vamos lá. Li seu post "Deus e a lógica". Concordo que o conhecimento de Deus não é questão de lógica, mas discordo que o conhecimento de Deus seja invenção humana por desconhecermos o oculto, o não revelado, o misterioso e o ainda não sabido. Bom, mas a maioria de nós conhece Deus por meio do discurso religioso. Isso é fato. Então, a questão não é se Deus existe ou não, mas se os textos que temos acesso e que nos revelam e nos contam sobre Deus são confiáveis e dignos de credibilidade. Como saber isso? Essa questão é importante para a fé cristã. Muitos de nós conhece Deus de ouvir falar ou de ler as Escrituras, mas são elas dignas de crédito? Tal credibilidade não pode vir das ciências naturais, pois não se pode sujeitar relatos históricos ao empirismo. As pesquisas histórias, literárias e arquelológicas nos dão respostas muito interessantes. A respeito, há textos muito esclarecedores traduzidos para o português - Mais que um carpinteiro (Josh McDowell) e Evidências que exigem um veredicto (Josh McDowell) são alguns exemplos.

Josh McDowell pontua quatro testes a que se deve submeter qualquer documento histórico da antiguidade - a crítica da forma, o teste bibliográfico, o teste da evidência interna e o teste da evidência interna. Uma pergunta que os historiadores fazem é: não possuindo os documentos originais, como saber se as cópias de que dispomos são dignas de credibilidade histórica em relação ao original e em relação ao número de cópias existentes? Não vou aqui descrever todos os testes, mas com relação ao teste bibliográfico alguns documentos da antiguidade apresentam evidências manuscripticas muito interessantes. Reproduzo um trecho do texto de Josh McDowell:

"A história de Tucídides (460-400 a.C.) pode ser encontrada em oito MSS [números de manuscritos] datados de cerca de 900 A.D., quase 1.300 anos depois de ele ter escrito. Os MSS da história de Heródoto são igualmente tardios e escassos; e, até agora, como conclui F. F. Bruce: 'Nenhum erudito clássico daria atenção a um argumento afirmando que a autenticidade de Heródoto ou de Tucídides é duvidosa porque os primeiros manuscritos de suas obras utilizadas por nós têm mais de 1.300 anos que os originais'.

Aristóteles escreveu seus poemas cerca de 343 a.C., todavia, a primeira cópia que temos é datada de 1.100 anos, e só existem cinco MSS.

César compôs sua história das Guerras Gálicas entre 58 e 50 a.C., e a autoridade do manuscrito repousa em nove ou dez cópias datadas de mil anos após sua morte.

Quanto se trata da autoridade dos manuscritos do Novo Testamento, a fartura de material é quase embaraçosa. Depois de os primeiros manuscritos em papiro terem sido descobertos, os quais preenchiam a brecha entre os dias de Cristo e o segundo século, surgiram muitos outros MSS. Mais de 20.000 cópias dos MSS do Novo Testamento existem hoje. A Ilíada possui 643 MSS e está em segundo lugar na questão de autoridade depois do Novo Testamento. (...)

A aplicação do teste bibliográfico ao Novo Testamento nos assegura que ele possui mais autoridade de manuscrito do que qualquer peça da literatura antiga. Somando a essa autoridade os mais de cem anos de crítica textual (comparação de manuscritos para determinar qual leitura de uma passagem específica é a mais provavelmente correta) intensiva do Noto Testamento, pode-se concluir que um texto autêntico do Novo Testamento foi estabelecido."

Bom. Algum crítico poderia argumentar que embora as cópias que dispomos da Escrituras sejam autênticas e dignas de credibilidade histórica, isso poderia não significar, necessariamente, que seus relatos sejam verdadeiros. Essa é uma questão que também deve ser respondida, e qualquer um que queira examinar intelectualmente as Escrituras, sem esquivar-se das críticas, encontrará uma resposta surpreendente a essa pergunta.

Uma questão ainda mais importante é que, para a fé cristã, os ensinamentos de Jesus não têm valor algum sem a autoridade de Jesus. Ainda que possam ser seguidos como exemplos de prática de caridade ao próximo, ou como conduta moral, não têm valor fora da pessoa de Cristo.

Caro amigo, gostaria muito de continuar escrevendo. Mas teremos outras oportunidades. Vou ler os seus textos e posicionar-me.

Um grande abraço.

Erico.

Um comentário:

Marco Aurélio disse...

Olá, Érico, como vai? Pois é, rapaz, não deixei espaço para os comentários, porque toma muito tempo para respondê-los. Como são assuntos difíceis e contraditórios, preferir não polemizar. A fé é uma questão existencial. Ela não pode ser provada racionalmente e a Ciência até hoje não nos deu respostas definitivas. Enquanto as coisas não se esclarecem, continuo com o meu ceticismo. Mas admiro a sua fé. Acho muito legal a maneira que você lida com ela. Um abr@ço!

Ass: Marco Aurélio Machado