
Muitos estão convencidos de que ter liberdade é ser livre para fazer o que quiser, ser livre para realizar suas escolhas, livremente, e baseado nessa escolhas tomar suas decisões. Mas podemos nos impressionar, pois isso não se traduz como liberdade.
Qualquer ser é livre dentro de certos limites. Liberdade absoluta é uma ilusão. Isso parece ser paradoxal, pois se não posso realizar o que quero e não posso tomar minhas decisões baseado em minhas escolhas, como posso ser livre? Onde fica o livre arbítrio?
O dicionário Aurélio (FERREIRA, 1999) traz algumas definições para “liberdade” freqüentemente aceitas; dentre elas: Poder de agir, no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas. (grigo é meu).
É interessante notarmos nessa definição que não há liberdade absoluta. Essa opinião é compartilhada pelo famoso escritor cristão John Stott, para o qual a verdadeira liberdade é a liberdade para ser um eu verdadeiro como Deus nos fez e desejou que fôssemos (STOTT, Por que sou cristão, 2004, p.98;). Esse autor afirma ser a liberdade absoluta, ilimitada, uma ilusão, uma impossibilidade. Stott dá um exemplo de um peixe em um pequeno aquário. Através de suas guelras o peixe absorve da água o oxigênio de que precisa. Os peixes encontram sua liberdade de serem eles mesmos dentro do elemento no qual encontra sua essência, sua identidade, sua liberdade. A água impõe uma limitação ao peixe, mas nessa limitação está a liberdade: de ser ele mesmo dentro dos limites que o Criador lhe impôs. Suponhamos agora que o peixinho nade dentro de seu pequeno lar de um lado para outro até que se sinta frustrado ao ponto de decidir apostar na liberdade saltando do aquário. Se conseguir cair em um lago num jardim, sua liberdade aumentaria. Porém, se caísse sobre o concreto ou sobre o tapete, sua aposta por liberdade se tornaria em morte (na obra citada, p.99-100).
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